Condenado por série de estupros em MS, ‘Maníaco da Fronha’ teve redução de pena por concluir EJA

Condenado em setembro de 2016 a 60 anos de reclusão em regime fechado por estupros em série, João Carlos Ribeiro da Costa teve redução de pena por concluir o EJA (Educação de Jovens e Adultos) na Etapa de Ensino Fundamental. Ele foi condenado por cinco estupros e tentativas de estupros em Campo Grande, entre maio e setembro do ano de 2015.

A redução de 28 dias ocorreu em janeiro de 2020. Também houve mudança na pena dele, pois a Lei 13.654/2018 alterou o aumento de pena do crime de roubo, da forma que cometidos com arma branca (faca) são menos graves do que os cometidos com emprego de arma de fogo e, com isso, ele teve a pena reduzida em 4 anos de reclusão.

Teve ainda remissão de 84 dias em outros processos que já havia sido condenado. A pena total hoje é de 53 anos e 9 meses. Destes, ele já cumpriu 8 anos e 3 meses. Ele segue preso em regime fechado com progressão prevista apenas em 2031. O prazo total do cumprimento das penas é maio de 2045.

Apelidado de ‘Maníaco da Fronha’ por colocar uma fronha na cabeça das vítimas durante os crimes, cometidos em 2015, ele ainda roubava as mulheres.

Estupros em série

João trabalhava como garçom na época em que cometeu os crimes, entre maio e setembro de 2015, e conhecia as vítimas em sites de bate-papo. Ele chegou a alegar que as vítimas eram prostitutas, mas a versão foi contestada pela polícia.

Quando autor e vítima se encontravam, ele colocava uma fronha na cabeça das mulheres, as amarava, estuprava e roubava. Ele foi apontado como autor de pelo menos cinco estupros e tentativa de estupro na Capital.

Na madrugada do dia 20 de julho, João fez uma vítima no Jardim Aero Rancho. Ele invadiu a casa de uma jovem, de 24 anos, que estava na sala da residência, assistindo televisão. João Carlos amarrou a vítima, praticou o estupro várias vezes, agrediu a jovem com tapas na cabeça, quando ela ameaçou gritar, e fugiu levando dinheiro e celular.

No dia 21 de agosto, por volta da 1 hora, o homem invadiu a casa de uma jovem, de 24 anos, no Bairro Guanandi. Da mesma forma como agiu com a primeira vítima, ele amarrou a jovem, cometeu o estupro e ainda, segundo a polícia, não usou preservativo. Ele ficou também aproximadamente uma hora e meia na residência e fugiu levando celular e dinheiro.

No dia 16 de setembro, João Carlos invadiu uma casa, em um condomínio no Jardim Parati, região sul da Capital. Ele entrou na residência por volta das 3 horas e abordou a vítima, de 30 anos, que dormia no quarto. Conforme o relato da vítima, ela ainda tentou pedir socorro, mas ele a ameaçou com a faca e ordenou que ela ficasse quieta, ou mataria o filho dela que dormia no quarto ao lado.

João ainda passou a faca nas partes íntimas da vítima e colocou um cobertor na cabeça dela. Ela pediu para retirar o cobertor, porque a estava sufocando, e ela conseguiu ver o homem pelo espelho. Segundo a mulher, João andava de cueca pela casa e estava ‘bem à vontade’. Ela conseguiu notar um momento de descuido dele, pulou a janela do quarto e pediu socorro.

Os vizinhos ouviram os gritos da vítima e o suspeito fugiu. Neste caso, não houve a conjunção carnal, mas de acordo com a polícia, ficou clara a intenção do estupro. Ele também não conseguiu roubar nenhum objeto da casa antes de fugir.

No quarto caso, o suspeito abusou de uma jovem de 21 anos no Jardim Montevidéu. A vítima saiu de casa, por volta das 2 horas, para colocar o lixo na rua, momento em que foi abordada por João, que chegou ao local na motocicleta, uma Honda vermelha. Ele a ameaçou com a faca e ordenou que ela entrasse na casa, após confirmar que a vítima estava sozinha.

Como nos outros casos, a vítima foi amarrada e violentada e o assaltante fugiu após ficar mais de uma hora na casa, revirando os pertences da vítima e abusando sexualmente dela. Ele roubou celular, aparelho DVD e  da jovem.

No último caso registrado pela polícia, no dia 29 de setembro, João fez uma jovem de 26 anos vítima na Vila Santa Luzia. Na ocasião, ele invadiu a casa da vítima por volta das 22 horas e ficou aproximadamente 2 horas no local. A jovem ficou com os punhos machucados, por ser amarrada pelo homem. Após estuprar a vítima e revirar a casa, João fugiu levando celular, alguns objetos e um anel.

Prisão

Ele foi preso por policiais da  (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher). As vítimas reconheceram a voz do suspeito e souberam dar detalhes sobre ele, já que, apesar de colocar uma fronha na cabeça das vítimas, João tirava o pano e permitia que as vítimas o vissem antes de sair da casa.

No dia 2 de outubro, a polícia já tinha mandado de busca e  na casa de João Carlos.

Na residência do suspeito, localizada no Jardim Morenão, os policiais localizaram os objetos pessoais das vítimas, celulares, anel e documentos. Ainda conforme as delegadas responsáveis pelo caso, Rosely Molina, Franciele Candotti e Marília de Brito Martins, na casa de João foram encontradas anotações com informações pessoais das vítimas e de outras possíveis vítimas, com nomes e endereços.

João Carlos negou as acusações e afirmou para a polícia que as vítimas eram garotas de programa, que cobravam entre R$ 100 e R$ 150. Mas as delegadas negam a declaração e afirmaram até que uma das vítimas era virgem.

Modus operandi

Segundo as delegadas responsáveis pelo caso, João Carlos agia sempre da mesma forma. Ele conseguia os dados pessoais das vítimas através da internet, de redes sociais e de bate-papo e chegou até a conversar com vítimas pelo WhatsApp. Ele fazia uma busca minuciosa para levantar todos os dados das jovens e descobrir nome completo, endereço e, principalmente, se elas moravam sozinhas.

João cometia os estupros sempre da mesma forma e ainda roubava as vítimas. Nos cinco casos registrados, ele invadia a casa das vítimas, que moravam sozinhas. O criminoso ameaçava e amarrava as mãos das vítimas, as colocava na cama e cometia os abusos. De acordo com o relato das jovens, ele cometia o estupro, andava pela casa, revirava os móveis e voltava a cometer o abuso outras vezes. Ele ainda colocava uma fronha na cabeça das vítimas, para que elas não o vissem.

Ainda segundo a polícia, João permanecia na casa das vítimas por aproximadamente uma hora e meia e após cometer o estupro, fugia levando pertences, objetos pessoais como roupas e até documentos. Antes de sair da casa das vítimas, ele as trancava no banheiro, tirava a fronha da cabeça delas e fazia ameaças para que elas não gritassem ou chamassem a polícia.

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