Teste de HIV vale crédito de R$ 50 para gastar no comércio de Campo Grande

Uma ação especial para incentivar a testagem rápida do HIV vai oferecer crédito de R$ 50 para gastar em qualquer comércio de Campo Grande. Mas, atenção: podem receber apenas pessoas trans, travestis, não binárias e trabalhadores do sexo que não fazem tratamento contra o vírus.

Para ter direito ao valor, que ficará disponível em um cartão com código pessoal, o interessado deverá procurar exclusivamente o CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) da Capital, na Rua Anhanduí, 353 – Bairro Amambaí. O local é o único autorizado a conceder o crédito.

Além de pertencer a um dos grupos já citados, outra exigência para participar é ter CPF e não ter feito o mesmo exame há pelo menos seis meses.

E mais: se a pessoa que ganhar passar o código pessoal para outras quatro fazerem o mesmo teste, ela recebe outro cartão com R$ 50 em crédito pelas indicações.

A ideia da campanha é incentivar a testagem dos grupos “que enfrentam maior dificuldade de acesso devido à falta de informação, estigma e preconceito”, destaca a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), que divulga a campanha promovida pelo projeto “A Hora é Agora”.

Ainda segundo a pasta, a ação já está acontecendo e não tem data prevista para terminar. Vai durar enquanto houver cartões.

O local – O CTA fica aberto de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h. Todos os testes disponíveis são grátis. Em caso de dúvidas, é possível falar com um atendente nos números (67) 98189-8300, (67) 99227-1228, (67) 99930-9713 e (67) 2020-1701.

A mesma unidade oferece kit de medicações preventivas ao HIV, preservativos, lubrificantes, aconselhamento e encaminhamento para outros atendimentos, todos também gratuitos.

“Por obrigação” – Fundadora da ATMS (Associação de Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul) e atual coordenadora de Políticas Públicas LGBT em Campo Grande, Cris Stefanny opina sobre a campanha parecer pouco efetiva para conscientizar sobre a importância do teste.

“Cada pessoa tinha que fazer o teste por saber que é sua ‘obrigação’. Cuidar da própria saúde e ter um diagnóstico é um direito”, fala.

Ela acredita que centralizar a ação no CTA, é esquecer das vulnerabilidades dentro dos grupos escolhidos.

“Alguém que mora no Bairro Moreninhas, por exemplo, dificilmente vai sair de casa pegando um uber, um ônibus, para receber esse cartão com valor irrisório”, continua. O ideal, na opinião dela, seria a campanha ir até as pessoas nos bairros, nas praças e parques, não se restringindo apenas ao grupo indicado para não reforçar preconceitos.

“A Hora é Agora” – A ação é promovida dentro do “A Hora é Agora”, projeto realizado em parceria pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), a Fiotec (Fundação para Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde), Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, Ministério da Saúde, Secretarias de Saúde e organizações sociais independentes.

O projeto tem recursos do PEPFAR (sigla em inglês do “Plano de Emergência do Presidente para o Alívio da Aids”), uma iniciativa do Governo dos Estados Unidos.

O “A Hora é Agora” tem atividades em Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande, Florianópolis e Fortaleza.

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